Diagnóstico precoce do Autismo

Os transtornos do espectro autista correspondem ao conjunto de alterações no neurodesenvolvimento de gravidade variável que se manifestam por prejuízos na socialização, linguagem e comportamentos repetitivos e estereotipados.

O diagnóstico é estabelecido com uma avaliação clínica cuidadosa que inclui entrevista com os pais e exame psíquico da criança no consultório, através da análise das atitudes e dos comportamentos. Nos casos leves, os sintomas iniciais podem ser vagos e inespecíficos e passar despercebidos até a idade escolar, quando as demandas sociais excedem as competências.  

Os sintomas podem se iniciar precocemente e deve-se estar atento aos sinais de alerta, que incluem: ausência de sorriso social e de resposta às tentativas de interação; inexistência do comportamento de acompanhar e procurar familiares com o olhar; tendência a dar mais atenção a brinquedos e instrumentos do que às pessoas; falha no ato de demonstrar apego aos familiares e de estranhar desconhecidos; interesse e fixação em detalhes ou partes de objetos; resposta inadequada ao som, aparentando às vezes serem surdos ou irritação com ruídos rotineiros; alterações na aquisição da fala que vão desde ausência de linguagem verbal, fala incompreensível e atrasos até particularidades sutis; dificuldades na linguagem gestual, no ato de apontar, sinalizar; preferência por ficar sozinho e desinteresse em outras crianças; brincadeira desprovida de criatividade, com comprometimento na capacidade de imitação e no brincar de faz-de-conta; aparência inexpressiva com inabilidade em demonstrar emoções e comportamentos repetitivos e estereotipados.

O diagnóstico precoce, possibilita uma intervenção mais cedo que faz grande diferença por permitir uma evolução mais promissora, com redução das limitações e melhora na qualidade de vida dos pacientes e familiares. A maior plasticidade neuronal neste período favorece o sucesso.

         O tratamento precoce visa a adequada estimulação da criança. É fundamental o treinamento dos pais e familiares com ensino de estratégias capazes de habilitá-los a proporcionar o máximo desenvolvimento das capacidades sócio comunicativas dos seus filhos.

É preciso que os pais, familiares e responsáveis tenham coragem de enfrentar seus medos e inseguranças a respeito das alterações no desenvolvimento infantil e procurem auxílio a tempo de detectar e intervir precocemente.

 

Dra. Carla Daniele Silva Mesquita

Psiquiatra da Infância e Adolescência do Hospital Infantil São Camilo