Avaliação na educação infantil

“A escola deve ser o lugar para todas as crianças, não baseada na ideia de que somos iguais e sim que todos somos diferentes”.
Loris Malaguzzi

É só falar em avaliação na educação infantil que surgem uma série de perguntas, como é realmente possível avaliar crianças de zero a seis anos? E se for possível, o que exatamente é preciso avaliar? Em primeiro lugar é importante ter claro que na educação infantil não há, de forma determinada, o que as crianças devem saber ao final de cada série. Mas é possível à escola, através das concepções de educação e, também, de criança, planejar o que deverá ser investido no dia-a-dia da sala aula em cada idade. Para definir essas propostas também são importantes o olhar e a escuta do professor. Interpretar o que as crianças falam e fazem possibilita o investimento em outras propostas que atenderão à demanda e aos interesses delas.

No decorrer dessas propostas é possível perceber o desenvolvimento das crianças e como cada uma se apropriou das experiências. Mas apenas perceber é muito pouco: é preciso mais do que isso. É importante compartilhar os processos com as famílias, com os professores das séries seguintes e, principalmente, com a própria criança, que poderá se perceber enquanto alguém que evolui. A prática de observar e registrar o que as crianças fazem não é algo novo. Muitos educadores já fazem algum tipo de registro e entre os modos mais utilizados, podemos citar a produção de CDs com fotos e pequenos filmes, desenhos, pinturas, relatórios descritivos, relatórios de múltipla escolha, arquivos, dossiês e inventários.

A criação de um portfólio tem sido um valioso recurso para avaliar e documentar os processos individuais das crianças. Nele estão contemplados aspectos significativos, comportamentais, como a criança interage entre pares, no aspecto afetivo, cognitivo (inteligência), capacidades motoras, a escrita, a leitura, a linguagem oral e outros, que, depois de analisados pela coordenação e professores, são considerados ou não relevantes para constar no portfólio.

Para que esse recurso aconteça, é necessário muito comprometimento da parte de todos que dividem o dia-a-dia com as crianças na escola. Entendo que, mesmo através de momentos simples, como a alimentação, a criança está aprendendo algo e, dessa maneira, é possível perceber como ela adquire bons hábitos alimentares, como lida com as ações para conseguir comer com mais independência e daí por diante.

Se estivermos falando de momentos como atividades que favorecem o desenvolvimento do processo da alfabetização, toda a atenção do professor é pouco, pois qualquer fala da criança, ação e registro pode ajudar o adulto a intervir de maneira adequada. Por isso os registros diários feitos pelo professor são tão importantes; não apenas para se tornarem história no portfólio do aluno  mas norteador de propostas e intervenções individuais.

O retorno que as famílias dão ao receberem o portfólio é muito positivo, além disso esse recurso ajuda na ‘construção’ de maior proximidade com a escola. Alguns pais se emocionam, outros dão gargalhadas e muitos identificam e reconhecem os filhos nas informações, mesmo aquelas que apontam aspectos que merecem mais investimentos devido aos desafios enfrentados.  

A avaliação feita dessa forma ajuda os pais e educadores a compreender a individualidade de cada criança e a importância de sermos considerados como seres únicos. Dessa maneira, lembro-me de uma das muitas frases ditas por Loris Malaguzzi, pedagogo italiano que tem suas ideias concretizadas em escola de Reggio Emilia. Segundo ele, “A escola deve ser o lugar para todas as crianças, não baseada na ideia de que somos iguais e sim que todos somos diferentes”.

Villa Cata Vento