Comportamento: Estamos falando da mesma criança?

“Quando ela está comigo ela é obediente e tranquila, mas é só o pai chegar que ela faz corpo mole para tudo e fica dengosa!”
“Perto da avó ele é outra criança.”
“Você está dizendo que minha filha é educada, que ajudou na organização dos brinquedos e se comportou bem na sua casa? ”
“Na escola ela não bate e não faz birra?”

Passaria boa parte narrando questionamentos de pais e amigos sobre os diferentes comportamentos dos seus filhos em diferentes lugares e momentos.
É fato que o meio interfere nos nossos comportamentos. Numa recepção de bodas, por exemplo, nos portamos diferente de que em um almoço familiar. Diante de crianças temos uma postura diferente que diante de adultos. As crianças também são assim, elas se comportam de modo diferente em lugares, momentos e com pessoas diferentes, às vezes nem parece que estamos falando da mesma criança.
“Comportamento é a maneira de nos comportar (reagir, portar-se)”. Trata-se da resposta que damos aos estímulos e ao meio, mas é bom saber que tudo o que fazemos é aprendido, sejam os comportamentos adequados ou inadequados, o que nos tranquiliza, porque podemos ensinar às nossas crianças maneiras apropriadas de se comportar. Esse é o papel dos pais e educadores, estarem atentos aos comportamentos das crianças e investirem na educação das mesmas, mostrando o que acreditam ser certo, construindo regras e cobrando o seu cumprimento. É importante ressaltar que as regras não devem ser impostas, a criança deve entendê-las e construí-las, passando por tentativas, exemplos, experimentos, erros e acertos, até internalizá-las e cumpri-las com autonomia.
Como o maior desenvolvimento da criança se dá na família, os pais devem assumir a responsabilidade pelos comportamentos dos filhos, mas podem contar com a ajuda dos educadores e, juntos, manterem uma relação construtiva com suas crianças, tendo um olhar atento para diagnosticar em quais momentos e com quais pessoas elas apresentam comportamentos impróprios. Esse diagnóstico é fundamental para planejar as mudanças necessárias, pois nosso comportamento nada mais é que as respostas que damos ao tratamento que recebemos. Que tratamento nossa criança está recebendo? Críticas, permissividade, reprovação, complacência, tirania, amabilidade, distanciamento, atenção...?
É normal buscarmos pelo bem estar, pelo que nos deixa confortáveis e nos faz bem, mas nem sempre podemos fazer tudo o que queremos e na hora que queremos, e é nesse momento, que entram mais uma vez, as regras e combinados. Se eu não cobro do meu filho que ele brinque sem bater nos colegas, que não jogue os brinquedos, que arrume o quarto depois de brincar, que faça o dever, que estude, não estarei educando para comportamentos adequados, nem tampouco posso querer que ele os tenha.
Tanto os educadores quanto os pais devem deixar claro e ter persistência em passar e cobrar os valores e comportamentos que acreditam e querem para seus alunos e filhos. Não podemos ceder aos choros e manipulações, caso contrário as regras e combinados cairão no descrédito e deixarão de existir.
Palavras de incentivo, elogios e alguns prêmios, como ir ao cinema, lanchar fora, fazer um passeio (exceto presentes), são grandes aliados para termos comportamentos desejáveis, mas devemos ter o cuidado de não torná-los obrigatórios e nem motivos de barganha, na base do: “só faço isso, se me der aquilo”.
Educar nunca foi fácil, demanda tempo, paciência e determinação. Se buscamos comportamentos adequados das nossas crianças, precisamos dispensar parte do nosso tempo para educá-las, sermos firmes e afetivos, cobrando os combinados, conversando com elas e ouvindo-as, tentando entender como pensam e quais são suas opiniões. Devemos interessar pelo que elas fazem e falam, respeitá-las, ser exemplo e estreitar os laços entre elas. Uma dica que julgo importante nessa aproximação é quando contamos experiências da nossa vida, nossas preferências, os sucessos e fracassos, os medos, as habilidades. Quando nos tornamos reais para elas, ganhamos a sua confiança e, assim, conseguimos provocar mudanças positivas.
Sabemos que a correria do dia a dia e o trabalho excessivo podem levar ao cansaço e ao desânimo, mas se quiserem um lar tranquilo, onde vocês tenham vontade e pressa de chegar ao final do dia, invistam na educação dos seus filhos e na mudança de seus comportamentos, assim vocês irão encontrar um ambiente agradável, terão o carinho deles e até as brincadeiras se tornarão mais leves e desejáveis.

Um abraço,


Lilian de Oliveira Costa
Diretora Pedagógica
Escola Visconde de Sabugosa