‘TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: Por que incluir

Durante muito tempo as instituições sociais foram regidas por padrões de seletividade que excluia e segregava os ‘’diferentes’’, deixando-os a margem de todo processo social, cultural e educacional, ou seja, a exclusão permeava a vida de indivíduos que não se encaixavam num padrão de homogeneidade.

Somente na década de 90 começaram as discussões sobre a necessidade e o direito de inclusão, e esse novo olhar busca ainda hoje de forma desafiadora um espaço na sociedade.

E nesse olhar, não podemos deixar a margem o TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, que como uma necessidade especial envolve cada vez mais instituições educacionais e especialistas em estudos e pesquisas com o objetivo de entender e esclarecer comportamentos e atitudes desse individuo, na busca de novas possibilidades de inclusão.

Vale ressaltar que apesar do TDAH não ser um transtorno de aprendizagem, segundo o manual de Psiquiatria e o CID-10, ele traz como causa secundária a dificuldade de aprendizagem, o que justifica a necessidade de intervenção e atendimento educacional diferenciado.

De acordo com o PROIS-2006 – Projeto de Inclusão Sustentável, estudos comprovam que o TDAH é um transtorno que não está associado a fatores ambientais como educação permissiva e sem limites pelos pais, proteção em excesso ou consequência de conflitos psicológicos.

Os indivíduos com TDAH costumam ser considerados portadores de dificuldades crônicas como a desatenção e/ou impulsividade-hiperatividade. Acredita-se que apresentem essas características desde cedo em suas vidas, em um grau excessivo e inadequado para a idade ou nível de desenvolvimento, e entre uma variedade de situações que excedem a sua capacidade de prestar atenção, restringir movimentos, inibir impulsos e regular o próprio comportamento no que diz respeito às regras, ao tempo e ao futuro. (BARKLEY, 2008, p. 89)

Sabendo-se que o TDAH não afeta apenas o comportamento, e na medida em que pode impactar também a aprendizagem, é importante organizar os processos de ensino de forma a favorecer ao máximo esse individuo, bem como planejar e implementar novas técnicas e estratégias de ensino que atenda melhor às necessidades desse aluno, a fim de propiciar uma inclusão de qualidade e respeito à individualidade.

Portanto, o fazer pedagógico deve ser uma somatória de ações que corroborem para um resultado acadêmico satisfatório. Assim, em se tratando da inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, neste caso o TDAH, quanto maior forem os esforços em prol de uma ação conjunta, melhores serão os resultados. Por isso, cabe a equipe envolvida nesse trabalho priorizar estudos e planejamentos coletivos.

Caso a escola não ofereça ao aluno com necessidade especial um atendimento diferenciado – recuperações paralelas, tempo maior de prova, dentre outros, de forma a evitar que o mesmo tenha um prejuízo acadêmico, a decisão de retenção de série deve ser discutida e reavaliada.

No Brasil, os atuais critérios de definição de educação especial encontram-se elencados no documento Política Nacional de Educação Especial, publicado em 1994 pela Secretaria de Educação Especial – SEESP – do Ministério da Educação e Desporto – MEC.

       A Lei 9.394/96 reforça nos artigos 58 e 59 a importância do atendimento educacional a pessoas com necessidades especiais, ministrado preferencialmente em escolas regulares. Estabelece, também, que sejam criados serviços de apoio especializado e assegurados currículos, métodos e técnicas, recursos educativos e organizações específicas para atender às peculiaridades desses alunos, e destaca a necessidade de capacitar docentes para as dificuldades ou transtornos de aprendizagem.

       Apesar do exposto acima, discussões, debates e leis que amparam os alunos com transtornos ou dificuldades de aprendizagem, ainda há um longo caminho a ser percorrido, tendo em vista que numa sociedade acostumada a padrões pré-estabelecidos, esse novo perfil de aluno não se enquadra no discurso da homogeneidade, pois são desatentos, desorganizados, hiperativos, lentos na aprendizagem e com necessidades educacionais especiais.

Celeste Chicarelli – Pedagoga
Especialista em Psicopedagogia / Neuroeducação / Neuropsicologia
Screener da Síndrome de Irlen