A importância do brincar na primeira infância

A criança nasce totalmente dependente do adulto. A medida que vai crescendo interage com diversos objetos e com seus pares, começa então a se tornar independente. Descobre as características dos objetos que manipula, fazendo descobertas sobre si mesmos e estabelecendo uma relação lúdica com o meio, através do brincar.

E qual o nosso papel nessa brincadeira? Os pais, os educadores, os profissionais da saúde, os gestores devem garantir o direito de brincar às crianças. Ao assumirmos o nosso papel nessa relação, estamos ajudando a conquista da independência. É preciso que todos entendam que o brincar é o currículo da Primeira Infância. Entretanto alguns pais delegam e terceirizam suas atribuições, inclusive o brincar. Sabemos que há vários motivos para isso, mas é importante que a criança conheça seus pais em contextos diferentes e brincando entramos em seu mundo, igualamos as relações, sonhamos, imaginamos.

No momento da brincadeira, o adulto demonstra que se importa com a criança do jeito que ela precisa sentir e entender, criando laços afetivos. É vitamina para o desenvolvimento. Brincando a criança desenvolve capacidades importantes como a atenção, a memória, a imitação, a imaginação. Ao brincar, exploram e refletem sobre a realidade e a cultura na qual estão inseridas, interiorizando-as, e ao mesmo tempo, questionando as regras e papéis sociais. O brincar potencializa o desenvolvimento, aprende a conhecer, a fazer, a conviver, e sobretudo, aprende a ser.

Para além de estimular a curiosidade, autoconfiança, autonomia, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e atenção.

Através das brincadeiras, elas ultrapassam a realidade, transformando-a pela imaginação. Dessa forma expressam o que teriam dificuldades em realizar através do uso de palavras. Quando brincam em grupo aprendem princípios como a cooperação, a liderança, a competição, a obediência às regras.

Atualmente, por falta de espaço e segurança nas ruas, os jogos e brincadeiras na vida das crianças tem se limitado ao espaço da escola, pois até mesmo em casa as crianças têm sofrido influência da mídia e dos brinquedos eletrônicos e quando não é isso, é a falta de tempo da criança que tem atividades programadas para o dia todo, que não lhe sobra tempo para brincar, restando apenas o espaço da escola. Considerando a realidade em que a criança vive não se pode esquecer que o brinquedo tem se tornado objeto de consumo, a brincadeira tem perdido seu objetivo lúdico por conta dos brinquedos contemporâneos, a criança não brinca mais, não explora, não cria, nem representa concretamente seus pensamentos e valores, pois tudo já vem pronto, a criança torna-se espectadora do "objeto brinquedo" e não interage com o mesmo.

Dar brinquedos de diferentes materiais e tipos é recomendável. Por isso, nada de entupir a menina só com bonecas e tampouco só carrinhos para os meninos. As crianças precisam experimentar de tudo. O importante é o brincar e não o brinquedo. É possível improvisar brinquedos com caixa de papelão vazia, latas, cordas e lençóis. E não se preocupe se não puder dar ao seu filho aquele brinquedo movido à pilha de última geração. "Só na visão do adulto um brinquedo eletrônico é mais divertido, para a criança brinquedo que brinca sozinho é enfadonho".

As brincadeiras ideais para cada faixa etária:

Até os 2 anos

Nesta fase, a brincadeira tem que estimular os sentidos. Correr, puxar carrinhos, escalar objetos e brincar com bichinhos de pelúcia e borracha é recomendado.

3 a 4 anos

Começam as brincadeiras do faz de conta. As crianças respondem a brincadeiras de casinha, de trânsito, de escolinha e de outras atividades cotidianas.

5 a 6 anos

Os jogos motores (de movimento) e os de representação(faz de conta)continuam e se aprimoram. Surgem os jogos coletivos, de campo ou de mesa, jogos de tabuleiro, futebol, brincadeiras de roda.

7 anos acima

A criança está apta a participar e se divertir com todos os tipos de jogos aprendidos, mas com graus de dificuldades maiores.

Sendo assim, devemos acreditar que é através da atividade lúdica que a criança se prepara para a vida, assimilando a cultura do meio em que vive, integrando-se nele, adaptando-se às condições que o mundo lhe oferece e aprendendo a competir, cooperar com os seus semelhantes: a conviver como um ser social.

Denise Maria Gaia de Souza
Pedagoga, pós-graduada em alfabetização pela PUC MG, especialização em docência do Ensino Superior pela Newton Paiva e diretora pedagógica da Escola Galileo Galilei.