Grupos de mães no whatsapp, Você já faz parte de um ?

Quando um pai procura uma escola para o filho, busca um ambiente que favoreça o crescimento da criança nos aspectos sociais e pedagógicos. Dentro do universo escolar são inúmeras as descobertas e crescimento das crianças e dos pais. Os alunos se deparam com novos conceitos e conhecimentos e os pais percebem as mudanças comportamentais e pedagógicas nos seus filhos. Para ficar “ligado” com tudo o que acontece, a nova moda agora é se comunicar por meio das redes sociais, tanto o Facebook, como os aplicativos para celular, como o Whatsapp. As trocas de mensagens por meio dos grupos sociais criados entre as famílias das crianças na escola tornou-se quase uma necessidade.

Fazer parte do grupo, ou seja, as famílias (especialmente, as mães) de alunos da mesma série se reúnem para ter acesso a tudo que envolve os assuntos do seu filho; desde eventos escolares, encontros no final de semana, acontecimentos recentes até questionamentos pedagógicos.
Realmente é uma tecnologia a favor da comunicação, mas precisamos pensar nos prós e contras do uso deste aplicativo.

Um ponto positivo é o fortalecimento dos laços de amizade, já que os pais têm em comum crianças da mesma faixa etária, que podem fazer trocas significativas, enquanto os adultos também podem se relacionar. Muitos pais ficam na dúvida sobre algumas condutas no comportamento dos filhos e poder conversar com outras pessoas sobre o assunto ajuda a norteá-los sobre o caminho a percorrer, além de mostrar que desafios acontecem em todos os lugares.

Para alguns pais o grupo também ajuda a terem uma visão mais ampla da vida do filho na escola. Antes desse recurso, os relatos dos acontecimentos do dia sempre chegavam a eles através dos filhos. No grupo, outras versões da mesma história aparecem e permitem que o pai perceba como seu filho se posicionou diante do acontecimento.
Na perspectiva construtivista sócio interacionista os conflitos cotidianos, empurrões, mordidas e pequenas disputas, são vistos como uma oportunidade de crescimento. Em momento algum a escola banaliza estas vivências, porém lidamos com os desafios envolvendo os alunos, para que eles cheguem às conclusões de entendimento da situação. Por exemplo: Você empurrou o coleguinha, mas você gostaria de ser empurrado? Essa reflexão faz com que as crianças saem desta situação aprendendo a se colocar no lugar do outro. Nestes casos, às vezes acontece um ponto negativo, porque quando os pais ficam incomodados com os esses conflitos, eles se sentem na obrigação de defender seu filho (o que é perfeitamente compreensível, desde que seja de forma respeitosa) e nestes momentos usam as mensagens para desabafar e se expressar, se esquecendo que o grupo abrange todos os envolvidos. O mal estar fica aparente e alguns silenciam ou saem do grupo. Em casos extremos as discussões chegam até a escola que observa que as crianças já estão bem, prontas para continuar se relacionando e os pais não.

Existem os pais que ficam conectados o tempo todo, o que torna o uso do aplicativo exagerado, gerando problemas nos relacionamentos. Muitas vezes ficam ansiosos se não são respondidos prontamente ou fazem uso indevido no envio de mensagens, por exemplo, sobre política, sexo ou futebol.

Outro ponto “super” negativo é quando os pais têm algumas dúvidas sobre procedimentos pedagógicos, reuniões ou acontecimentos que envolvam seus filhos dentro da sala de aula e usam o grupo para resolvê-los ao invés de procurar pela escola. Este é um erro grave porque a escola continua sendo o melhor lugar para resolver e esclarecer dúvidas. No grupo, as pessoas acabam colocando suas opiniões pessoais que podem ou não coincidir com a verdade. A permanência no grupo não exime os pais de participar das reuniões e dos eventos da escola. Às vezes uma situação simples vira um grande tumulto porque foi mal interpretada.

Fica aqui uma reflexão sobre o papel de cada um dentro dessa rede que está crescendo cada vez mais e que pode ou não nos ajudar. Se usado de maneira consciente pode ser um ótimo recurso. Se usado apenas para curiosidade sobre a vida e dificuldades dos outros, ou para buscar respostas rápidas sem a compreensão real das situações, pode ser apenas um meio de se manter longe de coisas importantes na sua vida, como um bom diálogo.

Sidnea Aparecida Cândido Vieira
Psicóloga da Escola Visconde de Sabugosa