A importância da escola na aprendizagem das crianças

As teorias de aprendizagem social partilham o princípio de que aprendemos ao observar modelos exteriores (pessoas, imagens, livros). Mas, certamente, a maior e mais essencial parte da aprendizagem das crianças acontece através do contato com as pessoas que as rodeiam.

As trocas sociais entre crianças, sem participação direta de um adulto, também são muito importantes na aprendizagem social. Os encontros com diferentes crianças em diferentes contextos estimulam a socialização e a experimentação, desenvolvendo elementos imprescindíveis para a formação da identidade. Ninguém melhor para enriquecer o cotidiano de uma criança do que outra criança. E na vida de uma criança não faltam oportunidades para esses encontros acontecerem, pode ser num passeio, numa visita a casa de parentes e/ou amigos, ou na escola. Na escola? Mas é interessante colocar as crianças desde bem pequenas na escola? Muitas escolas adotam uma metodologia de ensino diferente, que enxerga a criança como protagonista da aprendizagem desde o nascimento, construtora de conhecimento e de identidade em sua interação com o mundo. Tal perspectiva colabora para a formação de uma criança rica em potencialidades e competências, ávida para se engajar no mundo.

Todavia, para a família, escolher a escola não é uma decisão fácil. A seguir, algumas respostas às perguntas frequentemente feitas pelos pais ao cogitar a entrada do (a) filho (a) na escola:

1. Qual seria o maior ganho do (a) meu (minha) filho (a) ao entrar na escola hoje?
Compartilhar de situações sociais e aprender com elas. Para as crianças de hoje, que moram em apartamento, não brincam nas ruas e, muitas vezes, não tem a companhia de irmãos, tornam-se cada vez mais raras as chances de convivência. Portanto, a escola passou a ser o espaço, muitas vezes único, onde essa experiência acontece.

2. O que a escola deve oferecer para preparar o (a) meu (minha) filho (a) para o futuro?
Uma filosofia e estrutura de funcionamento que atenda às demandas que estão além da aprendizagem dos conteúdos curriculares. Por exemplo, atendimento em turmas reduzidas que permitam ao educador a mediação de todos os aspectos envolvidos na aprendizagem individual e grupal. Disponibilização de espaços de convivência que permitam práticas diferenciadas que ampliam as redes de relacionamento e promovam diversificadas situações de experimentação e aprendizagem.

3. Quais as maiores mudanças no comportamento do meu filho depois da entrada na escola?
No caso dos bebês, uma das mudanças mais notadas é a diminuição do estranhamento às novidades, ou seja, os bebês ampliam a quantidade de pessoas e ambientes conhecidos e que os reconfortam.

As crianças que tem por volta de 12-18 meses descobrem o prazer de compartilhar momentos fora do ambiente familiar, elas desenvolvem maior segurança para lidar com novidades. Tornam-se mais tolerantes à espera e à frustração

Já as crianças mais velhas adquirem autonomia para lidar com espaços e momentos pré-definidos – conseguem cuidar dos seus pertences e organizar-se durante as rotinas de lanche e higiene. Aprendem a noção de que todos têm necessidades especiais, que essas são muito específicas e particulares e que a maneira de compreender é diferente para cada um, que o respeito ao jeito de ser do outro é um principio fundamental na convivência. Também descobrem o valor dos direitos e deveres, das maneiras para iniciar o contato social e resolver conflitos.

Nesse contexto, podemos chegar a duas conclusões. A primeira serve de alerta aos pais que optam por deixar os filhos longe da educação infantil: ingressar cedo na escola não só é saudável para as crianças como costuma ter consequências positivas no aprendizado a longo prazo. E a segunda conclusão é de que a escola ajuda no desenvolvimento de todas as potencialidades dos alunos tornando-os capazes de compartilhar, cuidar, ceder, opinar, discordar, criar, empreender, enfim, capazes de responder às demandas sociais que estão por vir vida afora.

Créditos:
Ubirani Pereira de Lucena, psicóloga, consultora em educação infantil e assistente de direção do Instituto Tarcísio Bisinotto.