O que os pais esperam dos filhos?

Expectativa é a espera fundada em probabilidade ou promessa. Pensando como os pais, é impossível um pai ou uma mãe que não espere algo do filho. Desejar algo para ele, esperar que ele alcance os objetivos, orientá-lo através de conversas e vivências, estimular a autonomia, autoestima, autoconhecimento da criança e permitir a escolha por parte do filho é o esperado como atitude de qualquer educador, seja ele, pai ou mãe. Por que é tão difícil escutar e aceitar as escolhas do filho e muito mais fácil induzi-lo a escolher as dos pais?

É comum, ao ver um filho questionando a opinião ou decisão dos pais, escutar a seguinte resposta: “Eu sei o que é melhor para você.” Sabe mesmo? Geralmente, quando um pai dá esta resposta está utilizando como base os conceitos e as vivências que ele criou ao longo da vida. Foram experiências que serviram para ele e como um bom pai não quer que seu filho passe pelas mesmas dificuldades que ele passou e já foram superadas.

Quando os pais projetam algo para o filho, normalmente, é algo que não conseguiram realizar e querem realizar através do filho ou é algo que realizaram, estão sendo bem sucedidos e querem que o filho continue o que começaram. Em nenhum dos dois casos, a escolha parte da criança.

Outro ponto que entra em questão é a competência enquanto pai. Os pais não querem errar com os filhos. Todo pai quer que seu filho seja bem sucedido, um orgulho para a família. Vale ressaltar que o ser humano é falho. Não há pessoas que não erram e não há educação sem falhas. É importante viver o erro, pois aquele pai ou mãe que não aceita o erro nos filhos e passa a mão na cabeça deles não está os auxiliando. As pessoas só aprendem vivenciando, principalmente, através da análise dos erros.

Agora, pensando como os filhos. Os primeiros objetos de amor dos filhos são os pais. Eles que estão por perto, dão carinho, sabem sobre tudo, são o máximo. Impossível não se apaixonar! Assim, é natural que os pais decidam pelos filhos e que eles aceitem as decisões como as mais adequadas, mesmo que questionem. O medo de perder o amor dos pais faz aceitarem o que lhes é imposto. Já na adolescência, isto muda, pois os pais ficam um pouco de lado e as referências passam a ser os amigos. As questões anteriores vêm à tona e os adolescentes querem fazer suas próprias escolhas. Aqui a família entra em choque com eles. É comum ouvir reclamações dos pais em relação a esta fase da vida do filho. “Ele era tão calmo e, agora, não dá nem para conversar!” Neste momento, muitos pais utilizam do autoritarismo para resolver a questão o que está longe de ser o ideal e, na maioria das vezes, não resolve.

Pais fiquem tranquilos, a adolescência é uma fase, vai passar, os filhos não perderam os valores transmitidos na infância e a proximidade com vocês retorna na vida adulta. O adolescente só precisa ser ouvido e os combinados feitos durante toda a educação dele mantidos. Agora, o que não passa, são as escolhas erradas feitas em função de desejos de outros. Isto será vivenciado para sempre, trazer amarguras, gerar doenças psicossomáticas e, o pior de tudo, ferir o relacionamento entre pais e filhos, seja veladamente através da culpa, da decepção ou através de brigas até irreversíveis. Pensem, antes de agir e exigir, naquela primeira expectativa para seu filho: saúde e felicidade.

Melissa Fortes de Araújo - psicóloga, psicanalista e coordenadora pedagógica no Instituto Tarcísio Bisinotto - www.institutobisinotto.com.br