Cantiga não é só para ninar

 

 

 

E se junto das primeiras palavras as crianças pudessem cantarolar? Ou se em meio à descoberta dos sentidos pudessem se alegrar diante do doce som da flauta ou da cadência mais marcante de um tambor ou pandeiro? Essa é a proposta das atividades musicais desenvolvidas com crianças do berçário, por volta de quatro meses a um ano, que visam fomentar uma aprendizagem mais leve, fluida e dinâmica, sendo a música elemento central para estimular uma atmosfera receptiva ao novo. Afinal de contas, as cantigas também podem e devem ser usadas para despertar a sensibilidade, a concentração, a coordenação motora e a socialização dos pequenos.

E é possível explorar diversos sons e instrumentos. Os acordes, melodias e ritmos podem imitar a sonoridade de martelo, passarinhos, o tic-tac do relógio, o barulho do mar e outras onomatopeias. De forma intuitiva e afetiva, as crianças vão explorando gestos sonoros, como bater palmas, pernas, pés, mexer a cabeça e movimentar o corpo para acompanhar a música, atribuindo significados simbólicos aos sons. E até as situações em que param de chorar diante do dedilhar de um violão, por exemplo, são consideradas modos de interação musical.

O ensino da música na Educação Infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental deve estar pautado em três eixos norteadores: apreciação, execução e criação. As atividades musicais podem ser aplicadas em diversos contextos e faixas etárias. Na educação infantil, por exemplo, podem complementar um conteúdo a ser trabalhado em sala, tornando a aula mais dinâmica, estimulando diversas formas de expressão e o gosto por um bem cultural. Fato é que, em todos os contextos, a música propicia a abertura de canais sensoriais e facilita exteriorizar as emoções. Do ponto de vista físico, pode estimular a coordenação motora e aliviar tensões. Em relação aos aspectos psíquicos e mentais, os sons podem criar uma atmosfera de harmonia, organização, compreensão, além de instigar a desinibição, sendo um importante aliado do desempenho escolar.

A escola não pode negar aos alunos essas infinitas possibilidades de “aprender com os sons”. Prova disso é a Lei nº 11.769/2008, que desde 2012 tornou obrigatória a inserção da música como matéria da grade curricular da educação básica.

Hoje, a neurociência considera a música um bem imaterial muito importante para a formação do indivíduo, que também passa a reconhecer a sua cultura de forma mais prazerosa e lúdica. Portanto, é dever das escolas conceber a música para além da distração e lazer, como instrumento de desenvolvimento humano, capaz de aquietar, acolher, movimentar, instigar e, até mesmo, simplesmente brincar.

Por Weber Lopes e Antônia Claret, professores de música da Trilha da Criança Centro Educacional.