Escuta Empática - Uma habilidade a ser desenvolvida

 

 

 

Desde que nascemos começamos uma jornada de descobertas, com desafios contínuos e aquisições fantásticas.

Junto à beleza do mundo que nos é apresentado, descobrimos a cada dia, através dos sentidos, as diferentes formas de interagir com ele e dele nos beneficiar, seja na nossa relação com o espaço, com a natureza e com as pessoas.

Quando paramos para pensar em quantas habilidades vamos adquirindo no decorrer da vida e o quanto elas são importantes, como andar/correr, ler/escrever, falar/escutar, percebemos que algumas são mais valorizadas que outras.

Nessa nossa conversa, quero me ater em falar mais sobre uma habilidade pouco valorizada nos dias de hoje, mas não menos importante, a escuta.

Johann Goethe disse, “Falar é uma necessidade, escutar é uma arte”.

Será que precisamos ser artistas para dominar essa habilidade?

Vamos entender um pouco melhor algumas formas de escuta, que permeiam nossa comunicação nos dias de hoje:

• Inexistente: quando alguém fala e o outro, distraído, não apreende nada do que foi dito.

• Seletiva: aquela em que se escuta apenas o que quer e deleta o resto.

• Concentrada: quando presta atenção e entende o que escutou.

• Empática: quando, além de estar atento e entender o que a pessoa disse, há conversa e troca de ideias sobre o que se ouviu.

É assim, de forma empática, que acontece a comunicação.

Que forma de escuta temos praticado? Qual delas estamos estimulando em nossas crianças?

As mídias sociais são uma grande conquista tecnológica, que mudou radicalmente a forma das pessoas interagirem e se comunicarem. Elas trouxeram facilidade de se fazer presente e trocar informações, mas diminuiu o contato pessoal, o olho no olho, a conversa com troca de informações, com emoção, expectativa, troca de sentimentos e necessidades e, essas sensações/reações são imprescindíveis para se estabelecer uma comunicação empática.

Para uma geração com baixa tolerância ao frustrar, a escuta seletiva é a mais usual, pois apenas o que é interessante é abstraído e, com isso, a comunicação verdadeira tem se tornado uma arte de poucos.

A habilidade da escuta empática se adquire pela sintonia fina de sentimentos e pensamentos com outras pessoas, pelo respeito ao outro que fala. Em suma, essa habilidade refere-se à nossa capacidade de nos colocar no lugar do outro. Por isso, pais e educadores, é preciso rever nossa postura e analisar se realmente estamos educando nossas crianças para desenvolverem essa habilidade, que é tão importante quanto às outras. Estamos escutando as pessoas com atenção? Paramos o que estamos fazendo para olhá-las nos olhos? Demonstramos interesse pelo que elas falam?

Nós da Escola Visconde de Sabugosa acreditamos na relação empática e por isso a escuta é tão importante para nós, pois é através dela que aproximamos dos nossos alunos e criamos vínculos com eles, estimulando que o mesmo aconteça entre eles. As rodinhas de conversa também são comuns aqui e são através delas que essa escuta acontece.

São recorrentes as reclamações de que as crianças não escutam, que estão desconcentradas, que perdem o foco com facilidade e, com isso, que seu rendimento na escola tem caído ou que as relações têm diminuído. Nesses casos, descartada a possibilidade de deficiência auditiva, devemos investir na educação auditiva.

Um dos fatores que tem contribuído para essa falha na educação se dá pela rotina corrida que temos levado, nos distanciando das pessoas de nossa convivência, seja ela em casa, na escola ou no trabalho. Muitas vezes respondemos sem nem mesmo buscarmos o olhar de quem fala, o cansaço nos acomoda, a televisão e o celular nos prendem a atenção e caímos na escuta seletiva, ouvindo e respondendo apenas o que nos interessa.

Nós, adultos, além de modelos, somos os condutores e cobradores das condutas desejáveis das nossas crianças, por isso devemos estar atentos à nossa postura e ser coerentes com a cobrança que vamos fazer a elas.

Devemos trabalhar para uma escuta mais efetiva, empática e, consequentemente, por relações mais saudáveis, humanas e produtivas.

Lilian de Oliveira Costa
Diretora Pedagógica
Escola Visconde de Sabugosa