O PEP-R – Perfil Psicoeducacional Revisado como mediador no planejamento educacional

A partir de 1994 com a Declaração de Salamanca o Brasil e outros países se comprometeram a assumir um compromisso de responsabilidade com a educação especial. A LDB – Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 foi a primeira lei brasileira que reservou um capítulo a temática da inclusão.

O desafio que confronta a escola inclusiva é no que diz respeito ao desenvolvimento de uma pedagogia centrada na criança e capaz de bem sucedidamente educar todas as crianças, incluindo aquelas que possuam desvantagens severa. O mérito de tais escolas não reside somente no fato de que elas sejam capazes de prover uma educação de alta qualidade a todas as crianças: o estabelecimento de tais escolas é um passo crucial no sentido de modificar atitudes discriminatórias, de criar comunidades acolhedoras e de desenvolver uma sociedade inclusiva.
Lei de Salamanca

Dentre os diversos tipos de necessidades especiais destaca-se como um dos grandes desafios no processo de inclusão o TEA (Transtorno do Espectro Autista), o qual ainda permanecem divergências e muitas questões indefinidas.

Não existem exames laboratoriais para identificar o espectro e o diagnóstico é realizado por especialistas a partir da avaliação do quadro clinico, histórico de vida e comportamento da criança, utilizando-se de testes e escalas como: CARS, ADOS, PEP-R, dentre outros.

Das escalas acima referenciadas, destaca-se o PEP-R – Perfil Psicoeducacional Revisado, desenvolvido pelo Centro TEACCH na Carolina do Norte – EUA, o qual tornou-se referencia em vários países. Este instrumento é uma ferramenta importante na identificação de padrões irregulares de aprendizagem em crianças com transtorno do desenvolvimento com idades entre três e doze anos. O teste oferece informações relevantes sobre o desenvolvimento nas áreas de imitação, percepção, coordenação motora fina e ampla, integração olho-mão, desempenho cognitivo e cognitivo verbal, além de identificar anormalidades nas áreas de linguagem, relacionamento e afeto, brincar e interesse por materiais e respostas sensoriais.

Os materiais para aplicação do PEP-R são apresentados a criança de forma lúdica e estruturada, sendo utilizados brinquedos e materiais pedagógicos para a testagem (quebra-cabeça, massinha, bolinha de sabão, blocos coloridos, e outros). As instruções durante a avaliação podem ser verbal, gestual, utilizando dicas e demonstrações, facilitando a aplicação do mesmo em crianças não cooperativas.

Para avaliação do desenvolvimento os ítens são classificados da seguinte forma: P (passou), E (emergente) e R (reprovado).
Para avaliar o perfil comportamental os itens são classificados da seguinte forma: adequado se o comportamento for compatível com a idade cronológica, moderado se o comportamento for inadequado, e grave quando o comportamento for exagerado e pertubador, ou seja, gritos, birras e demais manifestações exacerbadas.

O PEP-R enquanto instrumento de avaliação do desenvolvimento destaca-se dos demais, pois os escores obtidos podem ser utilizados como parâmetro na elaboração do PDI – Plano de Desenvolvimento Individual e também em programas de intervenção, levando em consideração as habilidades aprendidas e as habilidades em desenvolvimento, para a elaboração do planejamento educacional. É importante lembrar que o PDI visa o atendimento das necessidades especiais do educando e favorece o processo de escolarização, considerando suas competências e potencialidades, oferecendo igualdade de oportunidades educacionais e promovendo a educação inclusiva.

O PEP-R pode ser aplicado pelo pedagogo, psicopedagogo, neuropsicólogo, psicólogo, fonoaudiólogo ou outro especialista da área da saúde ou educação, desde que devidamente capacitado para a aplicação do instrumento.

Celeste Chicarelli – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Pedagoga – Especialista em Psicopedagogia/Neuroeducação/Neuropsicologia
Tutor Cogmed – Reabilitação Cognitiva