Amamentação: mitos e verdades

O aleitamento materno é cercado de mitos e tabus, que em algumas situações podem prejudicar um momento tão especial para mãe e bebê. Por isso o preparo adequado durante a gestação se torna indispensável. Buscar textos de apoio, participar de rodas de conversa, realizar cursos e treinamentos são exemplos de como buscar ajuda e empoderamento.

Algumas mulheres ao se depararem com dificuldades iniciais no processo de amamentar se sentem inseguras, tristes e por vezes impotentes. Pressionadas pela família, muitas delas acabam acreditando que seu leite é fraco e que não sustenta o bebê. E acabam desistindo diante dos primeiros obstáculos. Os números apontam que embora haja o desejo em amamentar , a média de tempo de aleitamento materno exclusivo (AME) no Brasil é de apenas 54 dias. Muito pouco tempo se comparado às recomendações da Organização Mundial de Saúde de oferecer o leite materno como ÚNICA fonte nutricional da criança nos seus primeiros seis meses de vida, sendo o principal alimento até o primeiro ano. Depois disso, continua sendo uma importante fonte de nutrientes, especialmente de proteínas, gorduras e vitaminas, podendo ser oferecido até dois anos ou mais.

As principais queixas e indagações das mães e da família são que o bebê mama muito e que o leite não sustenta. O estômago de um recém nascido, no primeiro dia de vida, armazena apenas 7 mL de leite e essa quantidade vai aumentando aos poucos. Por isso é comum para alguns bebês mamarem muitas vezes durante o primeiro mês de vida. Além disso, a cada mamada o bebê estimula a produção de leite materno, mais uma razão para a livre demanda. Esse também é um conceito muito polêmico. É importante dizer que cada bebê é único, cada um tem uma necessidade. Evite fazer comparações. Amamentar em livre demanda significa não ter horários rígidos e com isso o corpo ajusta a produção de leite de acordo com o apetite do bebê. Outro mito: o bebê chora por fome. O choro é a única forma de comunicação do bebê durante um bom tempo. O choro por fome sempre será um sinal tardio. Um bebê que quer mamar dá os primeiros sinais passando a língua no céu da boca e movimentando o rosto de um lado para o outro como se estivesse buscando algo. E está. Fique atenta a esses sinais e não caia na falácia do leite fraco. É importante avaliar se há algum sinal de desconforto, como fraldas molhadas, frio ou calor, cólicas, gases, etc. Outra dúvida frequente é, tenho leite suficiente? Lembre-se que se você amamenta em livre demanda e não oferece nenhum outro alimento para o bebê até os 6 meses de vida, você terá leite suficiente sempre, com raras exceções. Fraldas molhadas e ganho de peso adequado são sinais de boa produção, uma vez que refletem, nessa ordem, uma boa hidratação do bebê e aporte nutricional satisfatório provenientes da amamentação. A principal situação que pode efetivamente comprometer a produção de leite é a pega incorreta, já que provoca rachaduras, dor e muito desconforto, tendo como resultado a diminuição da produção de leite materno.

Confiança e apoio são fundamentais para o sucesso da amamentação. Na dúvida procure profissionais especializados, como consultoras de amamentação e pediatras que apoiem o aleitamento materno.