Quando retomar a atividade física após o parto?

Após o nascimento do bebê, só as mães sabem o quanto é difícil reajustar a rotina. O retorno à prática de uma atividade física também está dentro desse desafio. Muitas mulheres se desesperam com a “barriguinha” e flacidez e, assim que liberadas pelo obstetra, matriculam-se em academias em busca de atividades que promovam perda de gordura e fortalecimento abdominal. Entenda porque este não é o melhor caminho para voltar à boa forma.

Quando retomar a atividade física após o parto?

Em geral, as mulheres são liberadas pelo médico obstetra para a realização de atividades físicas em torno de 40 a 60 dias após o parto, tempo necessário para os órgãos e sistemas retornarem ao estado anterior à gravidez. No entanto, o período ideal para a retomada dos exercícios depende de vários fatores, como condições físicas da mulher, nível prévio de atividade física, tipo de parto, existência de complicações no pós-parto e tipo de exercício que se pretende fazer. As mulheres que já eram praticantes de atividade física e que tiveram parto vaginal sem complicações normalmente têm condições de retomarem os exercícios mais precocemente. Além disso, alguns exercícios (como, por exemplo, para os músculos do assoalho pélvico) podem e devem ser realizados desde a primeira semana após o parto, desde que orientados e supervisionados pelo fisioterapeuta.

Quais cuidados a mulher deve ter no retorno às atividades físicas?

No pós-parto, a musculatura abdominal, que foi alongada pelo crescimento do útero gravídico, em geral está fraca e distendida. A diástase, que é a separação que ocorre entre os feixes do músculo reto do abdômen durante a gestação, pode demorar meses para voltar ao normal. Por isso, é desejável que os músculos da região sejam fortalecidos, porém isso tem que ser feito sob a supervisão ou orientação de um profissional habilitado. A realização de alguns tipos de exercícios de fortalecimento abdominal pode agravar a diástase e a distensão, causando uma lesão definitiva na musculatura. Além disso, os músculos que recobrem a parte inferior da pelve, conhecidos como músculos do assoalho pélvico, também sofreram alongamento e enfraquecimento na gestação e precisam ser reabilitados. Imaginem como é maléfico realizar exercícios que aumentam a pressão abdominal com músculos do assoalho pélvico sem condições de suportar a sobrecarga. Quando isso ocorre, a mulher passa a ter maior risco de apresentar perda involuntária de urina e de flatos e os chamados prolapsos (queda) dos órgãos pélvicos. Nesse sentido, deve-se evitar exercícios de impacto (como corrida e jump), bem como abdominais convencionais, até que a musculatura esteja reabilitada. É recomendável também fazer uma avaliação com um fisioterapeuta especialista em Saúde da Mulher, que investigará o grau de diástase, a postura global e as funções da musculatura abdominal e do assoalho pélvico, direcionando a mulher acerca de como retomar os exercícios físicos de acordo com suas condições individuais. Sabemos que neste período as mulheres estão suscetíveis ao aparecimento de dores no corpo devido à sobrecarga gerada pelos cuidados com o bebe. A assistência especializada prevenirá também disfunções musculoesqueléticas que poderiam perdurar por toda a vida.

Os exercícios podem diminuir a produção de leite materno?

Os exercícios físicos realizados em intensidade moderada não afetam negativamente a produção ou composição do leite materno. Nos exercícios intensos, há controvérsias se o aumento do ácido lático poderia mudar o gosto do leite e causar recusa pelo bebê. De qualquer maneira, se a mãe perceber qualquer alteração, poderá amamentar imediatamente antes da atividade, uma hora após ou retirar o leite (ordenhar) antes do exercício para oferecê-lo após.

Sabrina Baracho Fisioterapeuta
Crefito 4/81614.F
Diretora Técnica da Clinica Sabrina Baracho Fisioterapia.