“Teste do Pezinho” ou “Teste do Bracinho”

Luisane Vieira – diretora técnica do laboratório Geraldo Lustosa

O “Teste do Pezinho” é um procedimento que foi desenvolvido para simplificar a coleta de sangue no bebê, permitindo que o exame seja feito em qualquer unidade de saúde, mesmo naquelas que não possuem pessoas capacitadas para realizar uma coleta de sangue na veia da criança. Basta um pequeno corte no pezinho para que sejam coletadas as tão importantes gotinhas destinadas à triagem de doenças neonatais.

Apesar de simples, porém, a punção do pezinho é dolorida. Quando furamos o calcanhar do bebê, nem sempre conseguimos uma amostra suficiente para preencher todos os campos do cartão de exame e então é preciso fazer uma ‘ordenha’ da punção, para obter mais gotinhas. E, em alguns casos, precisamos até mesmo realizar uma outra punção.

Por esse motivo, no laboratório Geraldo Lustosa nós optamos por realizar a punção venosa no bracinho do bebê, com profissionais capacitados e experientes. Muitos pais estranham ao fazer o “teste do pezinho” no braço. No entanto, a amostra coletada na veia tende a ser menos diluída – o que permite a coleta de um volume menor de sangue, e muitas vezes mais rápida e menos traumática.

Isto não significa que a punção do pezinho seja pior. São apenas coletas diferentes, em contextos diferentes. O importante é obter a amostra da melhor forma possível, permitindo que o exame seja realizado na época correta.

Nos postos de saúde, o exame oferecido permite detectar as principais doenças no perfil básico, que são: Fenilcetonúria, Hipotireoidismo congênito, Doença falciforme e outras hemoglobinopatias, Fibrose cística, Hiperplasia adrenal congênita e Deficiência de biotinidase. Esses exames fazem parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal e visam detectar, precocemente, algumas doenças metabólicas ou genéticas de maior incidência.

Há, no entanto, vários outros tipos de doenças que podem ser identificadas com aquelas pequenas gotinhas de sangue, disponíveis em perfis chamados “ampliados” – disponíveis nos laboratórios particulares. Dentre eles, incluem-se: Toxoplasmose, Rubéola, Surdez congênita, Doença de Chagas, Sífilis, Aids, Citomegalovirose, Hiperplasia da supra renal, Galactosemia, Deficiência de biotinidase, Deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, Deficiência da desidrogenase das acil-CoA dos ácidos graxos de cadeia médias (MCAD) e uma gama de erros inatos do metabolismo.

É importante lembrar que o Teste do Pezinho é um perfil de triagem. Por isso, em caso de resultados positivos, a orientação é realizar um procedimento de confirmação por meio de testes mais específicos, sempre com a indicação e o acompanhamento médico.