A Síndrome de Asperger e as alterações de linguagem

A Síndrome de Asperger está classificada na categoria dos transtornos gerais de desenvolvimento e se caracteriza como um transtorno neurobiológico, com muitas características semelhantes ao autismo, tais como comprometimento das interações sociais recíprocas, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Recentemente a Síndrome de Asperger e o autismo foram incluídos na nomenclatura chamada de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Indivíduos diagnosticados com Síndrome de Asperger apresentam atrasos importantes na área da linguagem, como alterações verbais e não verbais, evidentes em pelo menos três níveis: fonológico, semântico e pragmático, manifestando assim um desempenho inadequado em relação a tarefas que envolvem linguagem receptiva oral e gráfica.

No nível fonológico (sons), a capacidade de manipular os sons do ponto de vista fonêmico encontra-se prejudicada.

No nível semântico (decodificação e compreensão da leitura), nota-se prejuízo na compreensão da leitura. Já no nível pragmático (inferências e a escrita), as dificuldades surgem no processo de fazer inferências sobre estados mentais, inclusive deles mesmos, e em compreender o texto lido.

É importante que o tratamento da Síndrome de Asperger busque otimizar as capacidades do paciente e não a cura dos comprometimentos que são natos. Para isso é necessário a atuação conjunta de uma equipe multidisciplinar (psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos) que tenha como objetivo construir estratégias ideais para cada caso, para trabalhar as habilidades linguísticas, principalmente para a socialização e comunicação do paciente.

Sendo assim, sob uma perspectiva psicopedagógica, sugere-se um atendimento mais individualizado para cada uma das particularidades surgidas no contexto de aprendizagem, adotando como estratégias, entre outros procedimentos: o respeito ao tempo de aprendizagem; estimulação de sua comunicação com os colegas; conversas de forma clara e objetiva; apresentação de atividades visualmente, para evitar erros na compreensão do que deve ser feito; exploração de temas de interesse do aluno e uso da prova oral para substituir a prova escrita quando o aluno revelar dificuldades de elaboração das respostas escritas.

Sheyna Campos Guimarães
Psicóloga e Psicopedagoga