Distração, falta de atenção ou baixo foco atencional nem sempre é TDAH

Nem sempre a distração ou pouca concentração podem ser consideradas como critério para confirmar um quadro de TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, uma vez que a atenção é suscetivel a influência de fatores internos ou externos, e estas dificuldades são encontradas em vários transtornos, sendo importante buscar ajuda especializada para um diagnóstico correto, melhor compreensão e superação da dificuldade.

Algumas vezes a distração, baixa concentração ou foco atencional deficitário, podem estar relacionados a outros fatores como o transtorno de aprendizagem (leitura, escrita, cálculos) em que o déficit aparece como sintoma da dificuldade. É importante lembrar que estes sintomas podem ocorrer também em momentos de desequilíbrio emocional, estresse, medo, baixa auto-estima, sono de má qualidade, abuso de álcool, drogas ou outras substâncias, o que torna o problema atencional secundário, não devendo ser classificado como TDAH. Portanto, pode-se dizer que nem toda distração ou falta de atenção está diretamente associada a este transtorno.

É importante lembrar que a capacidade de prestar atenção ou concentrar-se depende do funcionamento adequado e da integração de diversas áreas cerebrais. A atenção divide-se em:

- Atenção Seletiva: relacionada a capacidade de inibir os distratores do ambiente, ou seja, focar em um estímulo e ignorar os demais;

- Atenção Sustentada: focar em um estímulo por um tempo prolongado;

- Atenção Alternada ou Flexibilidade Cognitiva: capacidade de alternar o foco atencional de acordo com o contexto, ou seja, interromper momentaneamente uma tarefa e logo em seguida retornar a mesma sem prejuízo após a interferência.

- Atenção Dividida: focar simultaneamente em duas ou mais tarefas (multi-tarefa). Possível apenas quando uma das tarefas requer menor esforço cognitivo.

Há pouco tempo atrás acreditava-se que a única forma de tratar o TDAH e comorbidades era medicamentosa. No entanto, os estudos e avanços da neurociências tem comprovado a importância do trabalho multidisciplinar, associando a eficácia as diversas formas de terapia e reabilitação. O tratamento para qualquer transtorno deve ser baseado na análise das causas e também no diagnóstico diferencial, sendo importante traçar um plano de ação que contemple objetivos a serem alcançados a curto e longo prazo, tendo em vista que nos transtornos como o TDAH, existem déficits não apenas de base orgânica, mas também comportamentais, emocionais e na aprendizagem, neste último caso impactando o processo escolar.

Percebe-se que muitos alunos com diagnóstico de TDAH apresentam déficit comportamentais significativos nas habilidades de estudo, por isso, mesmo que as dificuldades orgânicas sejam sanadas, necessitam de um tratamento comportamental-psicopedagógico para desenvolver melhores estratégias e hábitos de estudos.

Portanto, no tratamento do TDAH é imprescindível considerar situações tanto ambientais como circunstanciais (escola, trabalho, dentre outros), considerando o potencial cognitivo do indivíduo, habilidades e dificuldades, lembrando que algumas vezes as condições mais críticas do TDAH podem estar associadas ao contexto familiar, da mesma forma que existem ambientes facilitadores que podem minimizar os sintomas.

Vale ressaltar que pessoas com TDAH podem apresentar boa atenção seletiva e sustentada, ou seja, um hiperfoco que ocorre somente diante de alguns estímulos motivadores, pois o controle atencional está diretamente ligado a experiências prazerosas, sendo importante auxiliá-las na identificação de habilidades em áreas em que se envolvam e sintam-se motivadas para que tenham um rendimento satisfatório.

Celeste Chicarelli – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Pedagoga – Especialista em Psicopedagogia/Neuroeducação/Neuropsicologia
Tutor Cogmed – Reabilitação Cognitiva