Criar e Brincar

Nos fins de semana, feriados e até mesmo durante as férias escolares muitas famílias buscam opções de lazer para a criançada que está em casa.

É preciso, antes de qualquer coisa, dizer que não há problema algum em ficar em casa. Deixe a criança ter tempo para o nada e não se sinta culpado (a) por isso. Não precisamos entreter todo o tempo as crianças, o próprio esforço de fazer isso já torna tudo muito estimulante demais e banaliza as atividades que poderiam ser esporádicas e especiais. Claro, um ficar em casa de forma equilibrada, controlando jogos e televisão. Experimentem criar e deixar brinquedos e materiais criativos ao alcance das crianças e tenham certeza que ela irá brincar e vivenciar momentos de aprendizagem.

Se possível convidem amigos, primos, promovam o encontro entre crianças. Com tempo e companhia, está resolvido. Peguem no supermercado diversas caixas de papelão, lençóis amarrados, barbantes esticados pela casa são algumas ideias de brincadeira que elas adoram.

Agora, se a ideia for fazer um passeio, o que também é muito bom, deem preferência aos lugares onde a criança entraria em contato com elementos da natureza. Folhas, gravetos, terra, areia, água... São elementos que possuem em si carga de encantamento e ludicidade. Com a natureza ao alcance e uma (ou mais) criança para brincar, não precisa de mais nada, incríveis vivências estarão garantidas. É muito comum ver, nestas épocas, famílias que levam as crianças aos shoppings para brincarem nas áreas temáticas infantis. São armadilhas, que levam ao consumismo e que afastam a criança das formas mais elementares e saudáveis de brincar. É compreensível que vez ou outra as famílias façam uma visita ao shopping, um ambiente fechado e artificial demais, mas não façamos deste lugar o principal ambiente de diversão e interação com o mundo para uma criança. Existem na cidade diversas opções de parques e praças que podem ser explorados e que podem se tornar um grande quintal de brincadeiras. Quando expomos as crianças demasiadamente aos eletrônicos , ao consumismo e estímulos desnecessários, criamos um efeito contrário do esperado, gerando na criança desinteresse rápido pelas coisas. Aquele estímulo exagerado promove uma satisfação momentânea, mas logo a criança quer outra coisa, e outra... Quando permitimos à criança viver o chamado ócio criativo, lento, explorando a natureza e a simples convivência com o seu semelhante, inúmeras aprendizagens ocorrem e a sensação de plenitude será mais permanente.

Denise Gaia – pedagoga (supervisão e orientação), especialização em Docência do Ensino Superior e Pós-Graduação em Alfabetização