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Música e Capoeira no Desenvolvimento Infantil

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntas as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes". Rubem Alves

O grande educador Rubem Alves já falava sobre o encanto e a beleza da música. E das grandes experiências que ela pode proporcionar. Por isso, há muito tempo, estudiosos e pesquisadores se dedicam a entender os benefícios da música para o desenvolvimento humano, principalmente das crianças, nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais. Diversas pesquisas, realizadas em diferentes países e épocas, com maior ênfase no final do século XX, confirmam a influência da música no desenvolvimento infantil. Algumas pesquisas conseguem demonstrar, inclusive, que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.

A música, forma de arte que se constitui na combinação de vários sons e ritmos, é um elemento fundamental na primeira etapa do sistema educativo. “A criança começa a se expressar facilmente e é capaz de integrar-se ativamente na sociedade, porque a música ajuda a ganhar independência nas suas atividades habituais, assumir o cuidado de si mesma e do meio, e ampliar seu mundo de relações”. Fonte: http://br.guiainfantil.com/educacion-musical/140-os-beneficios-da-musica-para-as-criancas.html

A música deveria permear o projeto político-pedagógico de todas as escolas da Educação Infantil. O ensino da música, aqui mencionado, não é o de formação de instrumentistas e concertistas, nem o de cantar almejando uma carreira profissional como músico. O enfoque é a música aliada ao ensino como importante ferramenta pedagógica no desenvolvimento infantil.

A criança acostumada com os diferentes sons das canções e histórias cantadas está sendo preparada para assimilar os sons da língua quando começar a conhecer as letras no processo de alfabetização. Além disso, a música auxilia na concentração, melhora a coordenação motora, desperta a criatividade, facilita a comunicação da criança com ela mesma e com o outro, e proporciona alegria e diversão.

Presente, ainda, em outras manifestações culturais, tem papel fundamental na capoeira, pois é a partir da musicalidade que os movimentos são realizados e os instrumentos tocados. A música, na capoeira, desenvolve a motricidade e a percepção sensorial, contribuindo com a linguagem, leitura, escrita e lógica. Também proporciona o ajustamento rítmico da criança correlacionado a noções de tempo-espaço, favorecendo o equilíbrio emocional e melhorando as relações com os outros colegas. A utilização dos instrumentos da capoeira (berimbau, pandeiro, atabaque e outros) contribui para o desenvolvimento da coordenação motora fina, o que possibilitará uma melhoria no processo de escrita.

O uso da capoeira para estimular as crianças a manter, aprimorar e, em muitos casos, recuperar movimentos próprios do corpo humano é ponto essencial do trabalho de corpo e movimento para a Educação Infantil (Fonte: http://educacaopublica.cederj.edu.br/revista/artigos/a-capoeira-como-pratica-pedagogica-na-educacao-infantil). A capoeira também auxilia na formação moral da criança, difunde o princípio da defesa (e não do ataque), promove o desenvolvimento físico, estimula o controle emocional e desperta a curiosidade infantil.

Assim, a música e a capoeira são importantes ferramentas educacionais na prática pedagógica da educação infantil, permitindo às crianças um mundo de infinitas possibilidades e descobertas fascinantes sobre si, sobre o outro e sobre o ambiente em que vive.

* As aulas de música e capoeira fazem parte do Projeto Político-Pedagógico da Escola Cubo Mágico e são realizadas, semanalmente, por profissionais especializados, com todas as crianças da escola, adaptadas à faixa etária de cada turma.

Patrícia Pereira
Diretora Pedagógica
Escola Cubo Mágico

O PEP-R – Perfil Psicoeducacional Revisado como mediador no planejamento educacional

A partir de 1994 com a Declaração de Salamanca o Brasil e outros países se comprometeram a assumir um compromisso de responsabilidade com a educação especial. A LDB – Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 foi a primeira lei brasileira que reservou um capítulo a temática da inclusão.

O desafio que confronta a escola inclusiva é no que diz respeito ao desenvolvimento de uma pedagogia centrada na criança e capaz de bem sucedidamente educar todas as crianças, incluindo aquelas que possuam desvantagens severa. O mérito de tais escolas não reside somente no fato de que elas sejam capazes de prover uma educação de alta qualidade a todas as crianças: o estabelecimento de tais escolas é um passo crucial no sentido de modificar atitudes discriminatórias, de criar comunidades acolhedoras e de desenvolver uma sociedade inclusiva.
Lei de Salamanca

Dentre os diversos tipos de necessidades especiais destaca-se como um dos grandes desafios no processo de inclusão o TEA (Transtorno do Espectro Autista), o qual ainda permanecem divergências e muitas questões indefinidas.

Não existem exames laboratoriais para identificar o espectro e o diagnóstico é realizado por especialistas a partir da avaliação do quadro clinico, histórico de vida e comportamento da criança, utilizando-se de testes e escalas como: CARS, ADOS, PEP-R, dentre outros.

Das escalas acima referenciadas, destaca-se o PEP-R – Perfil Psicoeducacional Revisado, desenvolvido pelo Centro TEACCH na Carolina do Norte – EUA, o qual tornou-se referencia em vários países. Este instrumento é uma ferramenta importante na identificação de padrões irregulares de aprendizagem em crianças com transtorno do desenvolvimento com idades entre três e doze anos. O teste oferece informações relevantes sobre o desenvolvimento nas áreas de imitação, percepção, coordenação motora fina e ampla, integração olho-mão, desempenho cognitivo e cognitivo verbal, além de identificar anormalidades nas áreas de linguagem, relacionamento e afeto, brincar e interesse por materiais e respostas sensoriais.

Os materiais para aplicação do PEP-R são apresentados a criança de forma lúdica e estruturada, sendo utilizados brinquedos e materiais pedagógicos para a testagem (quebra-cabeça, massinha, bolinha de sabão, blocos coloridos, e outros). As instruções durante a avaliação podem ser verbal, gestual, utilizando dicas e demonstrações, facilitando a aplicação do mesmo em crianças não cooperativas.

Para avaliação do desenvolvimento os ítens são classificados da seguinte forma: P (passou), E (emergente) e R (reprovado).
Para avaliar o perfil comportamental os itens são classificados da seguinte forma: adequado se o comportamento for compatível com a idade cronológica, moderado se o comportamento for inadequado, e grave quando o comportamento for exagerado e pertubador, ou seja, gritos, birras e demais manifestações exacerbadas.

O PEP-R enquanto instrumento de avaliação do desenvolvimento destaca-se dos demais, pois os escores obtidos podem ser utilizados como parâmetro na elaboração do PDI – Plano de Desenvolvimento Individual e também em programas de intervenção, levando em consideração as habilidades aprendidas e as habilidades em desenvolvimento, para a elaboração do planejamento educacional. É importante lembrar que o PDI visa o atendimento das necessidades especiais do educando e favorece o processo de escolarização, considerando suas competências e potencialidades, oferecendo igualdade de oportunidades educacionais e promovendo a educação inclusiva.

O PEP-R pode ser aplicado pelo pedagogo, psicopedagogo, neuropsicólogo, psicólogo, fonoaudiólogo ou outro especialista da área da saúde ou educação, desde que devidamente capacitado para a aplicação do instrumento.

Celeste Chicarelli – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Pedagoga – Especialista em Psicopedagogia/Neuroeducação/Neuropsicologia
Tutor Cogmed – Reabilitação Cognitiva

Vocês estão realmente preparados para a chegada do bebê?

Os preparativos para a chegada do bebê podem enlouquecer os pais, não é mesmo?

Pré-natal e exames em dia, o quartinho enfim montado, enxoval do bebê comprado, roupinhas e utensílios lavados e organizados, chá de bebê programado, mala da maternidade pronta, lembrancinhas de nascimento encomendadas. Ufa!

Tudo isso é realmente importante, mas será que você e seu companheiro estão preparados para o que está por vir?

A gravidez é um período intenso, de muitas expectativas, não só para você mamãe, mas para toda a família que está prestes a receber um novo membro.

Até agora muitas coisas aconteceram e logo chegará o momento do parto, com ele, uma nova fase transformando tudo o que foi até então.

Ocorrerão grandes mudanças na vida do casal, e para isso é preciso se preparar. Os pais precisam estar cientes de todos os desafios que essa nova fase traz, por isso, os cursos para casais grávidos podem ser de grande utilidade.

É muito importante que você e seu companheiro aprendam antes do parto, o máximo possível sobre amamentação e os cuidados com o bebê, para que se sintam seguros e preparados quando o bebê chegar.

O curso de cuidados com o bebê tem a finalidade de orientar sobre os primeiros cuidados, auxiliando a vivência e adaptação do casal nos desafios do pós-parto, proporcionando mais conhecimento para você e seu companheiro, fazendo com que se sintam mais seguros para realizar a maternidade/paternidade com confiança.

Já o curso de aleitamento materno proporciona um suporte ativo, emocional, individualizado, bem como oferece informações precisas para que você mamãe se prepare e sinta segura e confiante desde o primeiro dia para realizar uma amamentação tranquila.

Com carinho, calma e delicadeza tudo vai encaminhar para um dia a dia seguro e delicioso.

Pâmela Daiana Silva
Enfermeira - COREN 415.639
Consultora em Amamentação / Sócia Proprietária da Amarmentar

Escuta Empática - Uma habilidade a ser desenvolvida

 

 

 

Desde que nascemos começamos uma jornada de descobertas, com desafios contínuos e aquisições fantásticas.

Junto à beleza do mundo que nos é apresentado, descobrimos a cada dia, através dos sentidos, as diferentes formas de interagir com ele e dele nos beneficiar, seja na nossa relação com o espaço, com a natureza e com as pessoas.

Quando paramos para pensar em quantas habilidades vamos adquirindo no decorrer da vida e o quanto elas são importantes, como andar/correr, ler/escrever, falar/escutar, percebemos que algumas são mais valorizadas que outras.

Nessa nossa conversa, quero me ater em falar mais sobre uma habilidade pouco valorizada nos dias de hoje, mas não menos importante, a escuta.

Johann Goethe disse, “Falar é uma necessidade, escutar é uma arte”.

Será que precisamos ser artistas para dominar essa habilidade?

Vamos entender um pouco melhor algumas formas de escuta, que permeiam nossa comunicação nos dias de hoje:

• Inexistente: quando alguém fala e o outro, distraído, não apreende nada do que foi dito.

• Seletiva: aquela em que se escuta apenas o que quer e deleta o resto.

• Concentrada: quando presta atenção e entende o que escutou.

• Empática: quando, além de estar atento e entender o que a pessoa disse, há conversa e troca de ideias sobre o que se ouviu.

É assim, de forma empática, que acontece a comunicação.

Que forma de escuta temos praticado? Qual delas estamos estimulando em nossas crianças?

As mídias sociais são uma grande conquista tecnológica, que mudou radicalmente a forma das pessoas interagirem e se comunicarem. Elas trouxeram facilidade de se fazer presente e trocar informações, mas diminuiu o contato pessoal, o olho no olho, a conversa com troca de informações, com emoção, expectativa, troca de sentimentos e necessidades e, essas sensações/reações são imprescindíveis para se estabelecer uma comunicação empática.

Para uma geração com baixa tolerância ao frustrar, a escuta seletiva é a mais usual, pois apenas o que é interessante é abstraído e, com isso, a comunicação verdadeira tem se tornado uma arte de poucos.

A habilidade da escuta empática se adquire pela sintonia fina de sentimentos e pensamentos com outras pessoas, pelo respeito ao outro que fala. Em suma, essa habilidade refere-se à nossa capacidade de nos colocar no lugar do outro. Por isso, pais e educadores, é preciso rever nossa postura e analisar se realmente estamos educando nossas crianças para desenvolverem essa habilidade, que é tão importante quanto às outras. Estamos escutando as pessoas com atenção? Paramos o que estamos fazendo para olhá-las nos olhos? Demonstramos interesse pelo que elas falam?

Nós da Escola Visconde de Sabugosa acreditamos na relação empática e por isso a escuta é tão importante para nós, pois é através dela que aproximamos dos nossos alunos e criamos vínculos com eles, estimulando que o mesmo aconteça entre eles. As rodinhas de conversa também são comuns aqui e são através delas que essa escuta acontece.

São recorrentes as reclamações de que as crianças não escutam, que estão desconcentradas, que perdem o foco com facilidade e, com isso, que seu rendimento na escola tem caído ou que as relações têm diminuído. Nesses casos, descartada a possibilidade de deficiência auditiva, devemos investir na educação auditiva.

Um dos fatores que tem contribuído para essa falha na educação se dá pela rotina corrida que temos levado, nos distanciando das pessoas de nossa convivência, seja ela em casa, na escola ou no trabalho. Muitas vezes respondemos sem nem mesmo buscarmos o olhar de quem fala, o cansaço nos acomoda, a televisão e o celular nos prendem a atenção e caímos na escuta seletiva, ouvindo e respondendo apenas o que nos interessa.

Nós, adultos, além de modelos, somos os condutores e cobradores das condutas desejáveis das nossas crianças, por isso devemos estar atentos à nossa postura e ser coerentes com a cobrança que vamos fazer a elas.

Devemos trabalhar para uma escuta mais efetiva, empática e, consequentemente, por relações mais saudáveis, humanas e produtivas.

Lilian de Oliveira Costa
Diretora Pedagógica
Escola Visconde de Sabugosa

 

 

 

Cantiga não é só para ninar

 

 

 

E se junto das primeiras palavras as crianças pudessem cantarolar? Ou se em meio à descoberta dos sentidos pudessem se alegrar diante do doce som da flauta ou da cadência mais marcante de um tambor ou pandeiro? Essa é a proposta das atividades musicais desenvolvidas com crianças do berçário, por volta de quatro meses a um ano, que visam fomentar uma aprendizagem mais leve, fluida e dinâmica, sendo a música elemento central para estimular uma atmosfera receptiva ao novo. Afinal de contas, as cantigas também podem e devem ser usadas para despertar a sensibilidade, a concentração, a coordenação motora e a socialização dos pequenos.

E é possível explorar diversos sons e instrumentos. Os acordes, melodias e ritmos podem imitar a sonoridade de martelo, passarinhos, o tic-tac do relógio, o barulho do mar e outras onomatopeias. De forma intuitiva e afetiva, as crianças vão explorando gestos sonoros, como bater palmas, pernas, pés, mexer a cabeça e movimentar o corpo para acompanhar a música, atribuindo significados simbólicos aos sons. E até as situações em que param de chorar diante do dedilhar de um violão, por exemplo, são consideradas modos de interação musical.

O ensino da música na Educação Infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental deve estar pautado em três eixos norteadores: apreciação, execução e criação. As atividades musicais podem ser aplicadas em diversos contextos e faixas etárias. Na educação infantil, por exemplo, podem complementar um conteúdo a ser trabalhado em sala, tornando a aula mais dinâmica, estimulando diversas formas de expressão e o gosto por um bem cultural. Fato é que, em todos os contextos, a música propicia a abertura de canais sensoriais e facilita exteriorizar as emoções. Do ponto de vista físico, pode estimular a coordenação motora e aliviar tensões. Em relação aos aspectos psíquicos e mentais, os sons podem criar uma atmosfera de harmonia, organização, compreensão, além de instigar a desinibição, sendo um importante aliado do desempenho escolar.

A escola não pode negar aos alunos essas infinitas possibilidades de “aprender com os sons”. Prova disso é a Lei nº 11.769/2008, que desde 2012 tornou obrigatória a inserção da música como matéria da grade curricular da educação básica.

Hoje, a neurociência considera a música um bem imaterial muito importante para a formação do indivíduo, que também passa a reconhecer a sua cultura de forma mais prazerosa e lúdica. Portanto, é dever das escolas conceber a música para além da distração e lazer, como instrumento de desenvolvimento humano, capaz de aquietar, acolher, movimentar, instigar e, até mesmo, simplesmente brincar.

Por Weber Lopes e Antônia Claret, professores de música da Trilha da Criança Centro Educacional.