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Preparo das mamas para amamentação

Antigamente recomendava-se o preparo das mamas durante a gravidez para  amamentação. Acreditava-se que era preciso “calejar” a pele, preparando-a para a pega do  bebê evitando assim fissuras. Porém, atualmente já sabemos que a única prevenção de  fissuras é a pega correta. As recomendações ditas para preparo dos seios na verdade em nada  ajudam, pelo contrário, na maioria das vezes tornam-se prejudiciais para a amamentação.

O uso de conchas para ajudar a “formar o bico” não é eficaz. Mesmo que momentaneamente o bico fique um pouco mais protruso, logo ele retornará a posição natural.

Isso também serve para seringas que puxam o mamilo. Não existe artefato artificial que modifique a anatomia humana. Além disso, o uso de conchas favorece o aparecimento de  candidíase mamária, proliferação de fungos e bactérias, causando dor e desconforto. O ideal é  deixar os mamilos bem secos e arejados. Existem vários tipos de mamilos (planos, protrusos,  invertidos) e é possível amamentar com todos eles, com orientações e apoio de um  profissional capacitado.

Alguns profissionais indicam ainda os exercícios chamados Manobras de Hoffman, que consiste em puxar o mamilo e girá-lo diariamente. Mas os estudos mais recentes mostram que  isso não traz benefício algum.

Durante a gestação, as células ou Tubérculos de Montgomery (aquelas protuberâncias  na aréola) produzem a hidratação e proteção natural para aréola e o mamilo. Ao esfregar a  região com bucha ou toalhas ásperas estamos retirando esta proteção e favorecendo o  ressecamento, o que pode causar feridas. O ideal é higienizar as mamas somente com água. O uso de sabonetes pode alterar o pH natural da pele. O uso de cremes hidratantes (assim como as pomadas de lanolina) pode causar a obstrução de ductos e atrapalhar a pega, pois deixa a mama escorregadia. Além disso, a alteração no cheiro e no sabor causado por eles pode fazer com que o bebê recuse o seio. Deixe-o sentir seu cheiro e sabor naturais, isso é um atrativo para chegar até a mama que favorece a amamentação.

Já repararam que durante a gestação a pele da aréola fica mais escura? Isso ocorre devido à ação de hormônios que atuam no fortalecimento e aumento da resistência da pele.

Mais um motivo para não interferir no que seu corpo já está produzindo naturalmente.

Mas afinal, então o que devo fazer para me preparar para amamentar? A resposta é bem simples, deixe que a natureza se encarregue disso! Leia bastante e informe-se sobre o assunto. Procure o apoio de profissionais capacitados e que realmente apóiem a amamentação. Suas mamas e seu bebê agradecem!

Mônica Araújo Almeida
Fonoaudióloga e Consultora em amamentação da Aconchego Consultoria em amamentação

A importância dos primeiros 1000 dias de vida para a saúde da criança

Os primeiros 1000 dias de vida de uma criança se iniciam desde a sua concepção e gestação (9 meses = 270 dias) somados aos dois primeiros anos (270 +365 +365 = 1000 dias!). Esse tempo corresponde ao período no qual intervenções que garantam nutrição adequada e desenvolvimento neuro-cognitivo trarão benefícios à saúde perceptíveis em todo o ciclo de vida do indivíduo.
Nos seus dois primeiros anos a criança tem a oportunidade de crescer acima da média e se tornar um adulto saudável se, além da alimentação correta, receber estímulos adequados, imunização e boa assistência à saúde. Nessa fase os órgãos ainda se encontram em formação: os ossos estão se alongando, os músculos se fortalecendo e o cérebro ganhando volume (atingirá 70% de seu tamanho final no segundo ano). Atualmente sabe-se que a falta de estímulos adequados para bebês e crianças na primeira infância pode acarretar impactos neurológicos permanentes.

Os estudos científicos mais recentes sobre saúde infantil concluíram que as condições nutricionais desde a concepção até o segundo ano de vida influenciam a saúde dessa criança pela vida toda. Tanto a hipernutrição quanto a subnutrição podem atuar no desencadeamento da manifestação de doenças. A introdução alimentar antes dos seis meses de vida, por exemplo, pode causar aumento do acúmulo de gordura corporal pois altera os mecanismos de regulação hormonal.

Com base nesses conceitos sabemos hoje que o estado nutricional da mãe durante a concepção poderá atuar como um mecanismo de programação do desenvolvimento fetal. Por isso a contribuição de um pediatra para a saúde infantil inicia-se ainda no período gestacional, na ocasião da consulta pré-natal, quando se verifica a condição nutricional materna e a indicação da suplementação de micronutrientes.

Já no período neonatal imediato, o pediatra atua dando suporte ao aleitamento materno exclusivo e indicando o uso de vitaminas e a vacinação adequada para o recém-nascido.

À medida que o bebê se desenvolve e chega aos seis meses de vida a introdução alimentar precisa ser realizada de forma adequada, sob supervisão pediátrica e, além disso, cuidados específicos de higiene e proteção precisam ser instituídos para garantir o desenvolvimento integral da criança.

O estimulo neural nessa fase, chamada de desenvolvimento sensório-motor,compreende tanto atividades ligadas aos cinco sentidos (audição, olfato, paladar, visão,tato) quanto atividades motoras tais como rolar, tentar alcançar objetos distantes e engatinhar. Face à condição de dependência absoluta de cuidados de um adulto nesses dois primeiros anos, é fundamental que o bebê tenha um ambiente propício e acolhedor, seja através do contato pele a pele, de toques e massagens e da demonstração de sentimentos por palavras. Tudo isso é necessário para desenvolver laços fortes de afeto com seus cuidadores, lançando as bases para um desenvolvimento pleno e saudável.

A importância de se estabelecer um bom vínculo com um pediatra visa garantir a orientação correta quanto aos primeiros 1000 dias da criança, no estabelecimento de hábitos saudáveis de nutrição, de atividade física e de desenvolvimento cognitivo e emocional, além do fortalecimento dos vínculos familiares. Ao criarmos a consciência de que somos capazes de atuar sobre os fatores desencadeadores de doenças que irão comprometer a longevidade,cuidaremos melhor da saúde de nossas crianças!

Dra. Fernanda Ribeiro
Médica Pediatra – CRM 52581/ RQE 31097

Escola Infantil - Ajudando na construção de uma autoimagem positiva

Desde que nascemos encaramos o difícil exercício de ver o outro, de sair de um mundo só nosso, onde “egocentricamente” buscamos nossas satisfações para enfrentarmos a socialização, que nada mais é que a inserção num mundo com regras e costumes, do qual queremos fazer parte e por ele sermos aceitos.

A criança se socializa a partir do momento que consegue perceber o outro. Esse processo acontece simultaneamente à construção da sua identidade. No outro ela vê semelhanças e comportamentos que tenta imitar, mas o que a torna única são seus desejos, suas preferências e características próprias. Aos poucos ela aprenderá a valorizar essas características, tendo uma autoestima elevada, ou aprenderá a desprezá-las, construindo uma baixa autoestima.

A escola é uma grande parceira na construção da identidade e autoimagem positiva das crianças. Todos que, direta ou indiretamente, com ela convivem, são agentes desse processo. Somos construtores de personalidades. A chegada de um filho para seus pais e de um aluno para seus professores e demais educadores, remete um compromisso com sua formação cognitiva, física, emocional e, porque não dizer, integral.

Vamos repensar nossa atuação e enumerar aspectos que podem ajudar na construção de uma autoimagem positiva. Infelizmente ainda prevalece aquela cultura negativa, onde o errado sobressai. Devemos exercitar o positivo, abrir os olhos para o certo, para o esforço, para a caminhada e suas conquistas, porque elas acontecem o tempo todo, apenas não tem a atenção devida. Deixe-a perceber que você torce por ela, que você acredita nela e orgulha-se dela.

Sua criança deve ser vista e ouvida. Dê a ela oportunidade de expressar seus sentimentos, desejos e opiniões. A atenção e a receptividade com que acolhemos nossas crianças fazem com que se sintam valorizadas, respeitadas e confiantes. Seja exemplo, mantendo coerência no que se faz e se cobra dela. Se minha criança deve me ouvir quando falo com ela, eu também devo ouvi-la; se não quero que grite comigo, devo fazer o mesmo, e assim as coisas fluem com mais harmonia e respeito, contribuindo para autoimagem positiva de si.

Devemos assumir uma parceria na educação das crianças: pais, professores, avós, babás e todos os que estão por perto, deixando bons exemplos, olhares de amor e carinho, palavras positivas, escuta atenciosa... A criança é como uma esponja que consegue absorver tudo à sua volta, inclusive fazer leituras que apenas sua sensibilidade lhe permite fazer.

A partir do momento em que nos foi dada essa missão, de pais, educadores e cuidadores, ou que a abraçamos de livre e espontânea vontade, cabe a nós exercê-la com responsabilidade, ajudando as crianças na construção da sua identidade, autoestima e autoimagem positiva.

Lilian de Oliveira Costa
Diretora Pedagógica da Escola Visconde de Sabugosa
Pós graduada em Alfabetização e em  Neurociências

O Pré-Natal Odontológico evita o aparecimento de doenças que afetam a saúde da mãe e do bebê.

Ao fazer um pré-natal odontológico você estará prevenindo problemas bucais que podem gerar doenças sistêmicas, causando desde o baixo peso do bebê, até partos prematuros.

A gestação é um estado delicado da vida de uma mulher. As gestantes constituem pacientes de temporário risco odontológico devido às mudanças psicológicas, físicas e hormonais, que criam con¬dições adversas no meio bucal.

A gravidez não é responsável pelo surgimento de cáries ou doenças gengivais, pois não ocorre, como se imagina, a perda de minerais (cálcio e fosfato) dos dentes da mãe para formar os ossos ou os dentes do bebê. Normalmente, os dentes de leite se formam a partir da sexta semana de gestação e os dentes permanentes a partir do quinto mês da vida intrauterina. Por essa razão, o uso de alguns medicamentos ou infecções não tratadas podem ocasionar em problemas na dentição do bebê e não da mãe. Na realidade, o aumento das cáries nas gestantes ocorre devido a alterações nos hábitos alimentares (uma dieta mais rica em carboidratos e a ingestão de alimentos em intervalos menores) e, principalmente, pela maior formação da chamada placa bacteriana sobre os dentes. De uma forma quase inconsciente a gestante não realiza a escovação da forma adequada, pois a escova dental induz ao enjoo e isto provoca o maior acúmulo da placa sobre os dentes, causando também o sangramento da gengiva. Sangramento que pode ser um sinal de doença periodontal, que em estágio avançado pode provocar a perda de um dente saudável e gerar outras consequências que vão muito além da boca. 

Estudos têm apontado possíveis relações de risco existentes entre doenças bucais, principalmente a doença periodontal, e complicações gestacionais, como parto prematuro, nascimento de recém-nascidos de baixo peso e pré-eclâmpsia. As explicações para tais hipóteses baseiam-se no fato de a doença periodontal ser de origem infecciosa, o que poderia provocar aumento de citocinas inflamatórias no sangue materno, por liberação direta da bolsa periodontal ou por disseminação de bactérias patogênicas, induzindo sua produção sistêmica. Estas substancias em níveis altos são responsáveis por contrações uterinas.

O Pré-Natal Odontológico tem como objetivo manter ou resgatar a saúde bucal além de fornecer informações a respeito dos cuidados com a higiene bucal. Dá-se também a possibilidade de a mãe ter uma gestação tranquila e filhos saudáveis.

Consultas em cada trimestre gestacional
Consulta 1 - Check-up preventivo digital para identificar pequenos danos nos dentes, boca e gengiva e evitar futuras dores e tratamentos prolongados.

Consulta 2 - Laudo minucioso e Plano de Acompanhamento da gestante (apresentação laudo checkup e envio para o(a) obstetra, profilaxia, orientações higiene e dieta, solicitar presença de familiares nas consultas de checkup pela importância dos esclarecimentos para as pessoas que terão contato direto com o bebê).

Consulta 3 - Além dos cuidados acima para a gestante são passadas orientações de cuidados com o bebê.

O Pré-Natal Odontológico ajuda também no controle do diabetes gestacional.

Cuide Bem do mais novo sorriso de sua família!

SMILECARE
Centro Odontológico
Dra. Nivia Temponi CROMG11909
Rua Alagoas 1405 /03 Savassi
( 31)32613178

Atenção Domiciliar no contexto da assistência à saúde

A história da Atenção Domiciliar se mistura com a história da medicina e da própria história da humanidade. Desde a pré-história com registros em pinturas rupestres, passando pelo Egito, Grécia, Roma e tantas outras culturas a assistência ao paciente era quase sempre feita no domicílio do mesmo.

No século XVIII, IX e início do XX, com a revolução industrial e o aparecimento das grandes metrópoles, os hospitais passaram a ser referência para o tratamento, tendo em vista tanto a maior complexidade da assistência à saúde, quanto à conveniência econômica e social que tal modelo propunha. No entanto, a partir de meados do século XX a Atenção Domiciliar começa a apresentar uma curva ascendente em todo o mundo, tendo como causa a tentativa de maior humanização e diminuição de custos na assistência a patologias crônicas e a pacientes idosos.

No Brasil, na década de 1990, acontece a maior expansão da Atenção Domiciliar, tanto no serviço público quanto no privado. No setor público, em Santos em 1991 e no município de São Paulo em 1993, a modalidade de atendimento domiciliar é adotada. No setor privado dezenas de empresas aparecem em todo o país. Em Belo Horizonte, a primeira empresa de atendimento domiciliar específico em Pediatria no Brasil é criada em 1999.

O crescimento desta modalidade de atendimento acontece rapidamente desde então, principalmente pelas grandes vantagens que apresenta: Para o paciente: pode ficar no conforto de sua casa e conviver com os familiares o que melhora com certeza o prognóstico. Também diminui sobremaneira o risco de infecção, por não estar em ambiente hospitalar. Para os familiares: os mesmos voltam a uma rotina mais intima e aconchegante, cuidando de uma forma mais próxima do familiar antes hospitalizado. Evita deslocamentos e vivência, às vezes durante anos, dentro do ambiente hospitalar. No caso do paciente pediátrico a mãe volta para o lar, para o esposo e outros filhos, além de poder retomar a sua vida profissional. Para o sistema de saúde: libera leitos hospitalares que já são escassos no nosso sistema. Para os planos de saúde e para o estado: diminui os custos do atendimento tendo em vista que a parte de hotelaria fica por conta da família. Há uma diminuição em torno de 30 a 40% do custo, principalmente quando estes pacientes são de alta complexidade e estariam dentro de um CTI. Para a equipe de saúde: tem um novo e desafiante nicho de trabalho. Na Pediatria hoje, é oferecido em Belo Horizonte a possibilidade de Atenção Domiciliar nas seguintes modalidades: Gerenciamento: pacientes crônicos sem necessidade de ventilação mecânica que são acompanhados por uma equipe multiprofissional. Internação: pacientes de maior complexidade, necessitando de enfermagem no domicilio, quase sempre em ventilação mecânica. Intervenção específica: intervenções pontuais como aplicação de antibióticos, acompanhamento fisioterápico, etc. Fototerapia Domiciliar –

Criança com icterícia e que necessita de fototerapia, que pode ser feita com toda segurança no domicilio. Hoje já existem aparelhos adaptados para este tipo de atendimento. Diante do exposto, fica a convicção de que a Atenção Domiciliar é um grande avanço e traz benefícios para todos. PEDILAR